Residências Artísticas 2017 | Conheça os projetos dos artistas residentes

Ava Serjouie-Scholz (DE)

Este projeto permite ao público participar na criação artística de um memorando cultural e de paz para a cidade. As pessoas vão pintar em pequenos azulejos os seus sonhos (um sonho de um mundo melhor), e esses azulejos serão usados para criar uma escultura feita a partir dos mesmos. Através deste projeto, os cidadãos conseguem experimentar o incrível momento da criação, a notável experiência de fazer algo criativo para tornar o mundo um lugar melhor. Esta é uma manifestação do maravilhoso poder da arte que leva pessoas de diferentes origens, raça, cultura e estatutos, a se sentarem juntas e participar no processo de criação.A pintura de azulejos é um projeto de arte comunitária adaptado para qualquer comunidade e também pode ser gerido como um projeto de arte intercultural para levar a mais cidades, países e culturas. Através deste projeto, estudantes tornam-se ativos na produção e na formação de trabalhos artísticos pela paz e pela amizade. Isso também oferecerá aos participantes a possibilidade de expressar visualmente os melhores valores da sua sociedade. As pinturas realizadas não só influenciarão os participantes no momento da sua criação, mas também continuarão a influenciá-los ao longo dos anos. A instalação final de todos os azulejos em conjunto funcionará como um projeto de arte comunitário, que representará a criação artística pelos cidadãos para a sua cidade e proporcionará aos residentes um sentimento de orgulho e satisfação relativamente às obras que eles próprios realizaram. É comum que os espaços públicos sejam utilizados para a representação de obras de artistas bem conhecidos ou famosos, de modo que raramente os cidadãos comuns têm a possibilidade de criar algo para o seu ambiente social.Trabalhar em azulejos não só proporciona uma possibilidade excecional de tornar as obras flexíveis na escolha do local de apresentação, mas também faz com que os participantes e visitantes tenham um material ou uma base atraente e interessante para trabalhar. Essa atração também pode ser usada como fonte de inspiração para levar mais pessoas interessadas a participar no projeto. Portugal tem uma longa história de trabalho e pintura em azulejos. Isso proporcionará aos participantes a oportunidade de aprender sobre uma arte antiga e experimentar trabalhar com ela.

 

Tito Senna (BR) | Instalação, graffiti, pintura, performance e Vídeo

Enquadrado no tema “Da Pop Arte às Trans-Vanguardas”, os projetos que pretendo desenvolver, tem por objetivo a fusão da cultura erudita e a cultura popular, criando um diálogo entre esses dois mundos. Este diálogo tem como ponto de partida o artista, as suas redes gráficas, objetos, instalações e a meio envolvente de Vila Nova de Cerveira.Os pontos de pesquisa-chave são as redes dos pescadores do rio Minho e a lampreia, tendo duas frentes de trabalho: “A Rede do Minhoto”, que consiste na criação de uma instalação artística que representa uma visão contemporânea das lampreeiras; e a “Boca da Lampreia”, uma vertente mais focada para a pintura, que surge através das características deste peixe.O propósito é que o trabalho surja a partir da investigação de campo, registo fotográfico, vídeo, recolha de materiais e que seja finalizado em ambiente de atelier. Os dias foram distribuídos de forma a haver liberdade criativa sem por em causa a responsabilidade de ter o trabalho pronto no final do período de residência.Materiais como fita adesiva, tela e materiais específicos da produção artística serão adquiridos logo nos primeiros dias de forma a não comprometer o cronograma.

 

Joana Gomes (PT) & Carla Souto (ES) | Desenho, escultura, fotografia e vídeo

“Assim entre o que eu penso e o que tu sentes a ponte que nos une é estar ausentes” – excerto da letra da música Rosie do cantautor Fausto. O projeto que queremos apresentar nas residências artísticas de Vila Nova de Cerveira parte da nossa forte relação: Joana e Carla. Conhecemo-nos em 2014 na Faculdade de Belas Artes do Porto e desde então temos vivido esta amizade à distância. De nacionalidades vizinhas (Portugal, Porto e Espanha, Corunha), temos as duas viajado e trabalhado fora das nossas fronteiras. Passado, presente e futuro não são artifícios de linguagem. O tempo desdobra-se nas costuras do ser. O tempo passa através de nós. Cria-nos e molda-nos – tal como o rio Minho que corre entre Portugal e Espanha e cria uma fronteira invisível. Por coincidência ou não, Vila Nova de Cerveira fica a meio caminho das nossas casas. Os primeiros 4/5 dias da residência vão ser vividos fora do atelier – adquirindo assim o maior número de material possível. Assim posto, propomo-nos passar os dias juntas a observar, a desenhar e a caminhar pela cidade e pela natureza. Perceber como é que a fronteira ente os dois países influência o alfabeto dos habitantes da cidade. Conversar e gravar as respetivas conversas – uma com a outra e também com os outros. Estudar mapas e cartografia da cidade e investigar o lado de cá e o lado de lá do rio Minho. Atravessar as diferentes pontes que unem os dois países. De volta ao atelier, estudaremos com cuidado todo o material reunido. Usaremos as palavras como ponto de partida. As palavras poderão ganhar corpo ao serem escritas na parede, desenhadas na areia ou cozidas num pedaço de tecido. O processo de trabalho revezar-se-á no ato de reconhecer e de prestar atenção às coisas, tornando-as maiores e mais importantes. Durante o resto do tempo de residência tencionamos criar uma instalação de fotografia, vídeo, escultura e desenho que traduza da melhor maneira nossa pesquisa e também a dualidade de quem a compôs. Duas pessoas, duas línguas, dois países.

 

Jayme Reis (BR) | Escultura

O meu objetivo é desenvolver trabalhos de pequenas dimensões que sejam coerentes entre si. Para seguir o cronograma, pretendo levar comigo pequenos suportes de chapa de gerro e de madeira. Irei também levar alguns materiais do meu uso do quotidiano, tais como alicates, goivas, alguns pigmentos à base de água e integrar nas minhas obras objetos encontrados nas ruas e arredores de Vila Nova de Cerveira. Os restantes materiais irei adquirir no mercado local.

 

 

Sandra Roda (PT) | Desenho

Narrativas interrompidas – Bitáculas de Campo 

Nesta residência, proponho-me a dar continuidade ao projeto em curso que tem como base a reflexão sobre a atual clivagem entre paisagem cultural e natural e que denomino de “Narrativas interrompidas – Bitáculas de Campo”. Neste projeto recorro essencialmente ao desenho de observação direta da paisagem. As bitáculas são mais que um caderno, são um corpo que reúne um processo de observação/ construção/ desconstrução/ reconstrução e que aglomera aspetos subjetivos sobre o local/ locais que percorro.Em Vila Nova de Cerveira proponho-me a uma caminhada entre o Rio e a Serra, o percurso e conversas com os locais que for encontrando serão registados no caderno (1 a 2 dias), os restantes dias serão para desconstruir e reconstruir a informação até ao objeto final, a Bitácula.

 

Anabela Sobrinho (PT/AU)

Com inspiração na Vila das Artes: No atelier de desenho e pintura, executar esboços e quadros, escrever poemas e/ ou histórias, tecer ou tricotar 2 peças de vestuário, editar fotografias para exposição em Vila Nova de Cerveira; Dar um workshop de Escrita Criativa na Biblioteca Municipal; Participar numa sessão de apresentação do meu projeto ao público, mediante solicitação da FBAC.

 

 

 

Gonçalo Beja da Costa (PT)

O meu trabalho foca-se no orgânico, no desgaste da superfície das coisas, no brilho do aço, do cobre, da madeira, ao brilho da terra vermelha. Um trabalho de mancha que se forma e destaca ao encontro da textura, com a sombra, luz, e todos os seus desdobramentos. Trabalhos em papel, que se anunciam como placas metálicas onde a ferrugem assenta e denuncia o tempo e o ar que transforma a superfície das coisas da terra.Um conjunto de obras que consiste numa série de formatos variáveis que apresentam aquilo, que à primeira vista, pode ser confundido com chapas de metal, com madeira, mas que de facto essa projeção somos nós mesmos.A compulsão da repetição está muito presente em todo o trabalho. É neste todo que se encontra o seu sentido. Trata-se de um processo repetitivo que declina uma totalidade e, nesse sentido, uma unidade. O meu trabalho foca um modo de pensar para o qual as formas artísticas são momentos privilegiados de reflexão numa possibilidade de produção artística nas suas modalidades mais diversificadas (seja através de pintura, desenho, fotografia, etc.), como campo de conhecimento e investigação que convoca um vasto conjunto de ferramentas, pela afirmação da pluralidade de meios, conceitos e abordagens. Sendo que, o objetivo maior, ao contrário de defender trabalho, é fazer trabalho. Há lugar para o pensamento livre. As obras implicam por si só participação, no sentido em que o seu valor se cria e recria através das experiências que elas provocam.Como materiais a utilizar não dispenso: muito papel, tinta da china, Vieux Chêne, lixívia e uma máquina fotográfica.

 

Rosa Franceschino (IT)

Neste projeto, eu gostaria de desenvolver trabalhos de pintura sobre e óleo e sobre madeira, nas quais refaço e reinterpreto algumas decorações e fachadas de azulejos em Vila Nova de Cerveira. Nos meus óleos usaria os azulejos como sujeitos e reinterpretá-los-ia através da minha linguagem pictórica pessoal.Metodologia: O meu projeto envolve a produção de pelo menos dois óleos sobre madeira. As dimensões são 80x80cm ou 10x10cm.Cronologia de trabalho: levantamento fotográfico por Vila Nova de Cerveira, dos azulejos na vila e seleção de temas decorativos para composição pictórica. Preparação do suporte pictórico e execução.Materiais: placas de madeira, gesso de Bolonha e cola pele de coelho; pinturas a óleo. Câmara e impressora Cavalete para pintura. Terebintina e óleo de linhaça.

 

Ximena Sánchez (CO) | Vídeo e fotografia

Tiempo Saudoso 

Os laços emocionais que são gerados entre o espaço e uma pessoa em particular tem sido um tema recorrente na minha proposta plástica, e é por isso que quando eu ouvi uma versão sobre o porquê da palavra “saudade”, relacionado com mulheres que ficavam a olhar para o mar à espera que um barco chegasse, trazendo o regresso dos seus entes queridos, ficou preso na minha mente a ideia de esperar como um ato incondicional que se torna comum.“A saudade começou na aventura marítima dos Descobrimentos portugueses, na partida do sítio a que se chama casa, em todos os pequenos objetos e pensamentos que nos fazem viajar no tempo. Prolongou-se na escrita dos poetas de amores desavindos, entranhou-se na voz do triste fado lusitano. Existe mesmo sem ser possível encará-la olhos nos olhos. E é portuguesa porque mais ninguém a vive, sente, explica e transmite como o povo do “pedacinho de terra à beira mar plantado” (Bruno Marques 2013).Esta imagem da mulher que espera tornou-se um pequeno passatempo, pois eu tento constantemente entender a condição temporal e espacial que envolve este gesto. Da mesma forma eu acho que a espera representa valentia e fragilidade ao mesmo tempo. Surge uma necessidade de dar forma à espera, de compreender o espaço que se constrói a partir desta finalidade e pergunto-me se a espera não será outra forma de contemplação, centrada num imaginário emotivo. Para Wittgenstein “A contemplação passiva do presente imediato é uma ocasião antinatural, ditada pela tradição metafísica, que ignora o fluxo do quotidiano _ o fluxo que transborda sempre o presente sem privilegiá-lo de algum modo” (Groys 2009: P: 119).Em muitos dos meus trabalhos tenho dado grande importância a esta ação, no trabalho Contemplação 2009, a paisagem transforma-se com a presença do sujeito e na obra “Acurar”, o tempo dedicado a uma ação prolongada tem a finalidade de aliviar, de criar um espaço para o duelo.A fotografia abaixo, foi realizada tomando como referência a pintura ___ “Caminante sobre un mar de nueves” e foi realizado contra o mar Ibérico do Outro Lado de Cerveira, uma imagem que é evocativa de um projeto de vídeo e parar movimento.Para esta proposta quero pôr em diálogo a espera, com a ideia de que a “saudade” encontra-se nos olhos das mulheres que antes estavam fixados no mar. A paisagem portuguesa complementa a metáfora.Quero explorar esta temática durante o tempo de residência com duas ferramentas que são a fotografia e o vídeo. De tal modo que se possa misturar Stop Motion com o vídeo, para sugerir assim um corpo que se funde com a paisagem por força de sua insistência em permanecer num só lugar.Metodologia:Propor a algumas mulheres de Vila Nova de Cerveira, que queiram participar no projeto, gravar a condição de espera em locais com vista para o mar.Para isso utilizar-se-ão planos fixos e prolongados com Stop Motion, com o intuito de investigar a possibilidade de fundir a mulher com o espaço.

 

Apoio: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes

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